Noite vai, noite chega
Aqui a minha vida monótona se faz
E vazia por esconder
Tudo que eu sinto por você.

Noite vai, noite cai
E minha alma
Perturbada pela escuridão
Se esvai
Em mais um dia de solidão.

Vou me perdendo em suas lembranças
E me sinto covarde
E cada gole de café cheira a decepção
Descendo amargamente em meu coração.

Sentimentos que caem
Emoções que emulam sem fim
A minha insanidade
E tudo que eu parecia saber de mim.

Preso num oceano engarrafado
Eu choro escondido
Sorrio por fora gemendo por dentro
Pois o meu sorriso só enfeita
O estrago que trago em meu peito.

Noite vai, noite desce
E a sua ausência ainda me traz
Frio no espírito
E meu corpo ainda padece
Do seu olhar que me acalma
Do seu toque generoso
Da sua voz que me acalenta
Da vida que eu perdi de novo.

Perdido em meu próprio orgulho
Sinto que jamais verei o sol brilhar novamente
O amor que sinto será apenas uma camuflagem
Para minha desesperança e descrença
Nos sonhos infantis aquecidos pela fé na humanidade?

Talvez não seja tarde demais
Para transformar tudo isso em fé
Através da fresta que me resta nas sombras
Posso ainda aguentar ficar de pé?

Quando pequeno acreditei que iria mudar o mundo
Agora estou caindo em pedaços
Me descobrindo em retalhos
Deixados pelos rastros que me levam a você.

Talvez também não seja tarde
De me redescobrir inteiro
De me reerguer perante mim mesmo
E me reconfortar em seus braços
E mostrar que ainda posso vencer
Essa desilusão eterna que parece não me esquecer.

Talvez não seja tarde
Redescobrir a paz
Recolher minha esperança deixada para trás
E reaprender a viver
Recontando os meus passos
Afastando-me dos fantasmas do passado
E relembrando que a cada dor
Existe um sol brilhando
Me esperando para secar minhas lágrimas
Curando essa ferida sem cicatriz
Me devolvendo ao seu amor de novo
Esse verbo que é amar e que me fazia tão feliz.

 

Poesia de Tiago Garcia, estudante de Letras no Instituto Federal do Espírito Santo campus Vitória.

 

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