É pesar
É náusea com desespero
É desejo
É ânsia.

É um lugar
Um espírito torpe
Uma alma trancada
Todas as portas estão fechadas.

É a chave que não se encontra
É a sanidade que se esgota
É a saída que se apaga.

Sumiram com os nossos olhos
Nos restaram retinas de vidros
Todos estão sendo hipnotizados
São telas
São tumores
São sequelas.

É um assalto das subjetividades sob-missas
Às missas midiáticas
Às missas políticas
Às missas dos padres
Às missas publicitárias.

É o estupro coletivo consentido das massas.

Eles riem
A gente adoece nos leitos da enfermaria
Eles estão abrindo suas asas e voando
Para longe da loucura coletiva que eles criaram.

Meus filhos
Meus sobrinhos
Meus sonhos
Meu destino:

O amor nunca se encontrou comigo.
A esperança que me corrói
Me joga aos entulhos de um quadro escuro.

Meus fantasmas são os meus melhores amigos.

Os medos mais sombrios
As dores mais perturbadoras
A saudade do tempo que se foi
E que jamais volta.

Ainda sou aquela criança imunda
Aquele adolescente impossível
Aquele filho amaldiçoado pelos instintos suicidas
Um assassino da moral religiosa pavorosa.

Ainda sou um adulto sem previsão
Uma luz fraca em meio à solidão
Quem sabe sou um resquício daquilo que me restou?
Uma vaga lembrança vagando pela mente
Permanentemente doente pelo passado?

Quem sabe a causa de tanta dor é a agonia de ainda estar presente?

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