A xícara com café caiu.
Só provou o sabor do dia que começava cinza, apesar do sol escaldante e do calor insuportável. Viver é por demais, angustiante. E ele sabia que estava só em suas crenças em si mesmo. Ninguém se importa com o que ele sente, sonha e sofre. Se acredita em algo, acredita em segredo. Os mais próximos são os que mais atacam seus desejos.

A esperança é o ingrediente de qualquer sobrevivente da vida. Ele espera por dias melhores, e acredita que virão. Não tem plena certeza, mas ignora a suposta ideia de um fracasso iminente. Fracassos são muito familiares. Ele já conhece o sabor elementar da vida. E sabe como administrar o seu sofrimento.

Recolheu-se em si mesmo para se proteger das palavras que lhe atiram como armas a lhe explodir. Busca em outras palavras, encontrar a vida ausente, a vida que se perde diariamente, constantemente sem que as pessoas se deem conta que estão mortas apenas porque se movimentam. Nem todo movimento é vivo. Nem toda ação resulta em algo bom pro coração.Há passos, movimentos que mais promovem o peso terrorista da pedra de Sísifo do que pensamentos que nos libertem deste eterno castigo de carregar pesos inúteis.

A xícara caiu. A vida escorre pelos degraus da escada seca, sem cor e sem vida. Uma vida seca, sem sentimento. O sabor do café era amargo. Amargo como será o seu dia.

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