Quando descobriram, me levaram à igreja católica, depois te ter sido benzido por uma benzedeira que morava aos redores do bairro. Chegando à entrada da igreja, já me senti mal. Aquela arquitetura me dava medo. Me lembrava os templos da Idade Média. Logo me vieram à memória as mulheres queimadas, os homossexuais torturados, os cientistas perseguidos. Agora era eu. Pouco sei da perseguição que os cristãos sofreram, mas muito sinto da perseguição deles contra mim até hoje.
Rezamos.
Minha mãe conversou com o padre, mesmo sendo evangélica. Minha avó não gostava de evangélicos. Era católica fervorosa. Igreja de crente só fala no diabo, ela gritava quando ia lá em casa. Vocês precisam é de um deus católico! Esse deus crente só quer o dinheiro de vocês, seus bobos!
Ergo minha cabeça e falo comigo: o que eu fiz?
O que eu sou? Por que estou sendo castigado, Senhor?
A estátua de Jesus se vira, olhando firmemente para mim e diz:
Meu filho, sua testa está sangrando.

Trecho do meu romance ‘A Visita – Memórias, confissões e segredos’, disponível para download aqui > https://www.amazon.com.br/dp/B01M18UG2P

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