Tem gente morrendo na televisão
Tem gente morrendo de fome
Tem gente morrendo na rádio
Tem gente morrendo de sede
Tem gente morrendo nos jornais
Tem gente morrendo de frio.

Tem gente morrendo em desalento nos bueiros das cidades
Tem gente morrendo em camas de hospitais.

Tem gente morrendo de angústia na multidão
Tem gente morrendo de desilusão,
Tem gente morrendo!

Tem gente morrendo na prisão
Tem gente chorando sozinho no quarto
Tem gente amando e sofrendo no computador
Tem gente perdendo a esperança
Tem gente cortando o pescoço
Tem gente dizendo ‘adeus’ sem emoção.

Oh, deus! Ninguém está percebendo?

Tem gente conversando com o desespero
Tem gente perdendo o emprego
Tem gente se separando
Tem famílias se matando!

Tem gente esquecendo que gente é gente
Tem gente que acha que todo mundo é estranho
Tem gente que não sabe ser gente.

Tem gente se matando em pensamentos
Tem gente gritando calado por atenção
Tem gente acreditando na alucinação
Tem gente encontrando a saída na escuridão.

Tem gente abraçando fantasmas
Tem gente enlouquecendo de vazio e de desejo
Tem gente gemendo de dor e decepção
Tem gente se entorpecendo de tanta razão
Tem gente acreditando na loucura
Tem gente se contorcendo de medo.

Toda essa gente está morrendo em 140 caracteres
Hiperconectados em suas solidões globalizadas
Tem gente morrendo por falta de presença
Tem gente precisando ser tocado por fora
E por dentro.
Porque está todo mundo morrendo
Calado.
Mas o celular está ligado.

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