Evaporam-se os mares
Secam-se os choros
Racham-se as estradas
Erguem-se os muros.

Ferem-se as asas
Esvaem-se as palavras
Secam-se as lágrimas
Ensurdecem-se os ouvidos.

(Ninguém ouve os nossos gemidos.)

Cessam-se as histórias
Acabam-se as amizades
Perdem-se os amores
Secam-se os rios
Aprisionam-se os sorrisos.

Cessam-se as vontades
Quebram-se os sonhos
Esgotam-se as possibilidades;

Mas essa dor é constante
E covarde;

Esvazia o meu espírito
Corta-me a alma
Cerra-me os olhos
Emudece o meu pranto
Enaltece este castigo.

A pior dor
É a dor muda.

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