Quando o caminho se mostra sem fim
E sem saída
Quando a alma não suporta mais nenhuma mentira
Quando a angústia te toma até a cabeça
E fica difícil respirar
As palavras se sufocam nas veias.

Quando se vê que o nada é o mesmo
Que tudo é um princípio infinito do fim
Eu vejo os meus sonhos desabando
Os meus anjos caindo em desalento
Os meus olhos não suportam tamanha hostilidade
Tamanha tristeza com requinte de crueldade.

Eu estou caindo
Estou cansado e deprimido
Eu estou cego por enxergar a minha iminente tragédia
Embalada de destino
Machucando e perfurando sem anestesia
Meus sentimentos.

Eu estou tentando achar uma saída
Mas não há estradas nem portas
A se abrirem para um descanso
Há melancolia que esmaga o peito
Há névoas escurecendo o céu púrpuro
Há demônios brincando de Deus
Há um inferno dentro de mim
Conflitos internos intensos
Intensidade que me leva ao desespero.

Eu caio diante de mim mesmo
Iminente derrota dos meus mais infantis desejos
Fracasso de um menino que chora escondido
Medo do quarto escuro em que seu espírito sangra em rubros espinhos.

Espíritos dizem que nada irá mudar
Muito irá se fazer, falar e de coração e alma
Sangrar.
Mas a humanidade é um erro
Uma mentira disfarçada de verdade.

Eu me prosto diante desta dor
Do céu vem o tiroteio
Caberá todas essas balas perdidas em meu peito?

Entre o inferno que construímos
E as pontes sem abrigo
Somos espectros fingindo ser amigos?

Eu estou caído
Minha vaidade se vai com estes pesados pensamentos
Pensamentos que me matam
Me esmagam
Me tiram o sono
E insone,
Eu morro congelado por este meio.

Conhecimento mata a ignorância
E sangra a inocência
A ingenuidade é uma criança
Brincando de ser guerreiro.

Quando se mata a inocência e a ingenuidade
Sobra só a ilusão e o eco da escuridão
A insanidade corteja nossas vidas
Nestes jogos de linguagem perversos.

A insanidade é que me mantém aceso.

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