De que me serve a sanidade,
Senão para me enlouquecer?
De que me serve a consciência,
Senão para me entristecer?

De que me serve o conhecimento,
Senão para me entorpecer?
Para que serve a minha melancolia,
Senão para acinzentar os meus dias?

De que me serve estes olhos,
Senão para enxergar as injustiças sociais?
De que me serve os sentidos,
Senão para me deixar abatido?

De que me serve a lucidez,
Senão para combater a mim mesmo?
De que me serve os sentimentos,
Senão para esmagar-me o frágil peito?

De que me serve a solidão,
Senão para me proteger da maldade que há?
De que me serve viver,
Senão não caibo em algum lugar ?

De que me serve o calor,
Senão para lembrar-me que sinto frio?
Para que me serve o amor,
Senão para lembrar-me que estou sozinho?

De que me serve este ar,
Senão para me adoecer?
E a cada segundo,
Morrer
Morrer
E morrer.

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