É um baile de máscaras
É carnaval de personas
Numa avenida cheia de encenações.

Todos querem a melhor máscara
Usam sagradamente
Religiosamente enganam suas tristezas.

Todos são vítimas dos outros
Mas ninguém é o outro do outro
E ninguém reconhece o outro de si.

Somos lobos cínicos
Devorando a inocência das crianças
Estes monstros que criamos
Dia após dia,
Sem nenhuma esperança.

A verdade é profana
Vem para roubar
Matar e destruir
Essa indústria de falsificação de pessoas.

Uma marca
Uma legenda na foto
Uma maquiagem para disfarçar o tempo
Nada passa por aqui
Nem a velhice chega
A infância jamais acaba.

Somos produzidos para a mentira
Personagens do eterno teatro
Milhares de egos são aniquilados
É um rebanho de ovelhas covardes
Dentro de um mundo de falsas ilusões.

Quem se desvia do roteiro
Paga com sangue e morte a sua liberdade
Que é uma verdade solta a ser capturada
Presa e torturada.

A sentença de morte está dada.

Eu tento respirar através desta máscara
E morro soterrado por meus mais pesados sentimentos.
Eu não posso existir
Não posso fazer nada além do que me mandam
Não posso falar nada além do que já está pré-escrito em minha própria história.

Toda ordem já foi dada e naturalizada
Não sobrou ninguém para conversar
Vivo entre os mortos
Vivo somente com os meus ombros e fantasmas.

A fantasia já não volta
Nem se importa
O que pré-determina é o que se ensina
É o que somente se encontra
E jamais se cansa.

Somos condenados ao auto-aniquilamento
Ao vazio da ação e do pensamento
Até que não sobre mais nada de nós
E assim vamos obedecendo
Consumindo mentiras plásticas e políticas
Consumindo a alma e a miséria da vida.

Empobrecimento da experiência
Somos convidados a aparecer não parecendo
Os cenários estão prontos
A peça já tem o seu público e objetivo
Só falta o treinamento militar do Grande Exercício do Ódio
E assim caminhamos
Fuzilando os nossos pensamentos
Os nossos reais desejos
Até que nada seja realmente nosso
Até que tudo seja produzidos totalmente por eles.

Sem direito a ser
Sujeitados ao Grande Império do Poder
Estamos morrendo epidemicamente como idiotas
Títeres de uma falsa civilidade
Enganados por uma falsa glória
Coroando marcas dos ditames estéticos
Nos moldando como objetos
Vamos nos tornando bonecos
De uma história que nos marca
E que nem sabemos o seu real preço nas nossas costas.

Somos cristos suicidas
Se sacrificando em nome da banalidade do mal.
Maldito somos
Desde a formação dos nossos cromossomos.

Perdidos sempre estamos
Entre a imperadora mentira que cultuamos e criamos
E que devotamente obedecemos.

Eu tento me resgatar do fundo
Mas só afundo.

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