Eu ainda não me acostumo
Eu hesito
E às vezes,
Perco o rumo.

A máscara que sustenta a grande máquina
Que vicia a massa
Produz diariamente a minha morte ambulante.

As plásticas das minhas emoções
A embalagem codificada do meu corpo
O uniforme, o crachá
As horas extras não pagas.

Sou comprado em bacião
Mas produzo um milhão
O meu salário está atrasado.

Adequando o meu rosto a vida prostituta
Eu me enxergo de longe,
Acenando para a luz.

Eu não tenho forças para quebrar tudo
E as correntes me sufocam
Eu não me enxergo nem de perto.

O vazio da falta de sentido
A mentira enaltecida
O extermínio dos excluídos
O choro contido
O sorriso fingido
Produz uma nação burra
Que se afunda no poço de seus próprios abismos.

Eu não me adéquo
Eu não me encaixo
Eu não me enquadro
Eu não me engano
E me encontro
E me enxergo
Mas não me entrego
E me escondo.

Fruto da diferença mortal
Eu me reencontro nas dores órfãs
Nos orgasmos dos sofrimentos
E sonho.

Pois ao olhar para fora
Eu me assusto,
E ao me recolher em meu pranto,
Eu ressurjo.

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