A chuva veio festejar comigo
As lágrimas que caem no chão frio
Num lugar infértil de amor
A implodir em mim.

O vendaval traz furiosamente
A vida violenta da natureza
Eu não sei ser igual a eles
Eu não desejo isso
Eu jamais serei assim.

Uma chama fraca ainda persiste em queimar
Em minha alma
A dor um dia cessará
O espírito torpe,
Um dia descansará.

Mesmo em gotas de chuvas fortes
Meu desejo perseverá diante das sombras
Da maldade alheia que me ofusca
Da falta de ar angustiante.

Minha voz é fraca mas resistirá
Meus fantasmas de feridas passadas
Já não irão me assombrar
Enquanto eu hesitar em cair novamente em desgraça.

Os meus inimigos estão ao meu lado
A perversidade tem rosto cristão
As mãos dadas não significam necessariamente união
As pessoas gostam da farsa.

Falsamente vivem para si e para os olhos alheios
Semblantes cansados mostram-se perfeitos
Ao maquiar a angústia de existir e ter que acordar
Olhos delineados choram pelos cantos escuros
Nos bastidores de sua essências
Gritam seu auto-aniquilamento.

Eu agradeço a chuva por derrubar
Por trazer realidade a vida travestida
A deslizar a tristeza nos vidros dos carros
Ao compartilhar comigo,
A tragédia iminente da existência:
O vazio que nos atormenta e nos desespera.

Eu fecho os meus olhos
Para guardar os meus sonhos
E um dia acordá-los com alegria.

chuva-forte

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