Deixem os mortos enterrarem os mortos
Deixem as palavras sairem para falar
Deem vida ao que está esquecido
Como aquele sonho adormecido
Aquilo que antes te mantinha aquecido.

Deixem o passado no passado
Lembranças pesadas são  doenças espirituais
Memórias mal assombradas são tumores
A envenenar a nossa alma.

Deixem os traumas gritar suas dores
Deixem as feridas se cicatrizarem
Deixem as pessoas partirem
Deixem as lembranças boas ficarem.

Deixe o espírito se libertar
Tirem os pássaros das gaiolas
Joguem as correntes fora
Tire a coleira do pescoço
Se livrem dos torcicolos.

Olhem mais para o céu
Olhe menos para baixo
Os olhos podem enxergar oportunidades
A alma precisa de possibilidades
Pra viver e respirar em infinidade.

Levante suas costas
As nuvens não podem te derrubar
A pedra no peito
Não pode te fazer tropeçar
A dor do nó na garganta
Não pode te aprisionar.

Não te sufoque em lágrimas
Lágrimas são belas palavras a desaguar
Em mares de inspirações
Em meio as sombras.
Mas não podem te paralisar.

Não asfixiem os verbos:
Libertar
Encontrar
Viver
Amar.

A vida é uma só
E a sua história precisa começar.
Não en’cene demasiadamente
Guarde um pouco de si para si mesmo
E se reconheça depois no espelho.

Nem seja uma sombra do péssimo reflexo
Desta representação imposta que há
Sempre haverá esse mal estar na existência
Mas ainda há beleza no mundo,
Há vida na poesia
Há energia na dança,
Há esperança na música
E há reflexões na filosofia para nos salvar.

Há uma alegria no devir da vida
Viver é uma constante
Com suas variantes
Alguns verbos hesitantes.
Mas não precisamos ser espectros de nós mesmos
Podemos avançar
Atravessar o grande mar de medos
Marchar juntos em liberdade incessante
E nos revelar em unidade diante do próprio espelho sujo
Que antes víamos ao acordar.

A vida é cheia de paradoxos
Mas a morte é mais sufocante
Cômoda como a burrice
Que engana
Maltrata e mata nosso povo
Com sua maior potência econômica:
A ingenuidade diante da esperança
Em completa comunhão com a ignorância.

Sonhos perdidos
Jogados ao descaso
Estão enterrados em nossos cemitérios psicológicos
Vivendo em desilusão com a realidade letal.

Mas sonhos podem ser ressuscitados
Vidas podem ser revividas
Se aprendemos a nos perdoar no passado
E olharmos com generosidade quem somos no presente
Pisando sempre no chão da humildade.
E o melhor remédio é o tempo
E o tempo é o amadurecimento
Estágios deste jogo que não escolhemos
Mas que se ignorados
Sufocam a mente com péssimas recordações
Que se não jogadas para fora
São lançadas contra nós mesmos
Sem chance de melhoras.

A mente já não suporta mais
Tamanho adoecimento da consciência
Trazendo feridas desastrosas
Derramamentos sem fim na existência.

O mundo não precisa ser
Este total e tamanho aprisionamento
Dentro deste caos interno eterno
vivendo essa morte-viva ambulante a latejar
Dores e medos constantes.

A vida quer respirar
O coração quer pulsar vida em fôlego
A linha quer a real energia do desejo saciado
Neste aparelhamento de nossos corpos numerados.
A vida quer passar sem avisar
Destruam os semáforos morais que nos petrificam
Se livrem dos ressentimentos sem pensar demais
Se desnude de pré conceitos naturalizados.

Viva aquilo que não foi
Seja aquilo que tu és
De propósito a afrontar
A ilegalidade da liberdade que não há.

Jogue fora as etiquetas
E não se preocupe com o jantar
Esqueça as perdas e as tristezas sem fim
Há muita estrada para caminhar
Há muitos horizontes para enxergar

A vida pede uma chance
Deixe ela entrar.

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