Às vezes os meus pensamentos voam
Enquanto os meus sonhos se vão
Os meus olhos cansados afundam
Nas lágrimas que caem ao chão.

E a manhã demora a chegar
A noite parece prevalecer
A esperança fica a fitar o céu escuro
Sem o brilho da lua ao escurecer.

O sol parece fugir
A beleza se dissipa nas cinzas
De uma vida baseada em mentiras
De uma existência sufocada por paradigmas.

A vida real é travestida
O cotidiano é uma cortina de fumaça
Que se origina de um incêndio
A devastar toda a nossa farsa.

Do cume das montanhas,
A saudade a percorrer
Caminhos estranhos
E sozinho se encontrar
E se perder.

A lama de minério a devorar
O resto da fauna a se preservar
Mancham a nossa alma de pavor
Sem chance de nos salvar.

Deus tem medo de sua criação
E da salvação ele desistiu
Não há espaço para o amor
A vida se perdeu nos rios
Nos lagos inundados de temor.

O ser humano é um eterno retorno do fracasso.

 

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