E ao acordar
É difícil aceitar
Que viver é relutar contra o próprio fracasso
O mundo é imenso
E não cabe os nossos bons afetos
Fomos vencidos
E todos nós sabemos que fomos
E seremos sempre vendidos.

Nasci pra ser o pior de mim
Um fingidor, um ator
Uma peça intrusa deste jogo sujo
Uma representação decadente do teatro funcional.

Ao dormir,
Preciso saber o que ainda em mim é meu
E que genuinamente pulsa em verdade
Preciso saber se alguém me roubou
Se me arrancaram ou me aprisionaram
Em uma caixa escura de angústias e medos.

A poesia nos salvará das armadilhas desde pesadelo
A escuridão jamais cessará
Enquanto formos conduzidos à grande máquina
A escuridão guia os cegos.

Os que enxergam,
Caem pesadamente contra si mesmos
Caem suicidando-se em seus fantasiosos desejos.

Caminhar entre os carros e caminhões
Pode ser um caminho sem volta
A frieza, a hostilidade, a crueldade natural
Nos paralisa diante da prova
Que a existência adoece com a consciência
E que a consciência só é um reflexo
Do espelho sujo e prostituído que enxergamos.

É revitalizador voltar às origens
Se reencontrar nas árvores
Nos cantos dos pássaros
Na música repleta de tristeza e melancolia.

A poesia nasce da sombra da vida falsa
Da vida não vivida
Da vida vazia cheia de desejos socialmente suicidas
Da vida que se entrelaça entre o amor e o ódio
Entre o desejo de viver a vida digna
E a sentença iminente da morte advinda.

É o elo milagroso entre a desgraça e a beleza
É o descontentamento que gera posterior prazer nas palavras.

Sofrer é só um percurso para escrever.

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