O tempo congelou
A vida parou?
Os dias se repetem
Nada mudou.

Acordo com calor
Conversas na sala dizem que nada acabou
A vida se paralisa porque viver cansa
Os dias em paz
A ansiedade do movimento
Morre em passos lentos
Quem sabe a tarde traga no vento
Aquilo que o governo brasileiro tirou?

Ligo o celular
Não para falar
Mas para dar poesia a dor
Eu ouço a voz suave da linda cantora
Que anestesia a paralisia da vida
Com melodia e versos cantados
Com intensa loucura e amor.

Meus amigos estão desesperados
Boas pessoas,
Bons sonhos
Indo para longe
Sem saber quando volta
A oportunidade para os honestos se foi
Só restou corrupção, malandragem e cansaço.

Alguém no ônibus briga por um espaço
Um vendedor de doces tenta se convencer
Que nada restou
Nem Deus
Nem a compaixão dos sensíveis
O salvou de seu destino pré-destinado a dor
Ao sofrimento que o Capital lhe reservou.

Enquanto isso,
O grito abafado nos asfaltos
São reféns de câmeras e assaltos
Os garotos do morro não podem ir a praia
Nem passear no shopping central da capital
O capitalismo não lhes deu algum espaço.

Índios são expulsos de sua terra
Sob tortura e morte
A saga europeia ainda não acabou
Enquanto um se levantar
Haverá bombas, gás lacrimogêneo e cadeia.

A humanidade é uma piada,
Estamos vivendo sob constante armadilhas
A voz dos excluídos dão força ao exército do fascismo
Somos a caça e o caçador foi eleito pela indústria da indiferença
A ignorância é refém do medo
E o medo sempre promete mudanças.

Enquanto isso,
Eu, meus familiares e amigos
Andamos sob o sol escaldante
Tentando achar o que se perdeu
Mas que não se encontra.

Os patriarcas decidem quem vai pra fogueira
A igreja pede dízimo ao desempregado
Com juros adicionais.

O mundo é um absurdo
Puro absurdo
A vida é uma resistência incerta
O caos passeia livremente.

Liberdade, aonde se esconde?

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