Palavras buscam refúgio
Correm
Desesperadas.

Palavras buscam sua salvação
Pois em sua condição
A morte está dada.

Palavras buscam expressar
A dor de (vi)ver
O menino sírio morto
Encontrado no mar gélido.

O menino que possuía asas
Agora voa para longe
Do nada.

As ondas levaram seus sonhos
A areia escutou o seu último suspiro
O ódio sempre trava batalhas.

Palavras buscam sobreviver ao caos
Mas às vezes caem em terras molhadas
De dor e tristeza
De (vi)ver tanta vida
Sendo ignorada.

Palavras guerreiam
Mas às vezes caem
E ficam paralisadas.
Como o meu corpo que se recusa a enxergar
O mundo a enfrentar
A maldade tão banalizada.

Palavras saem de mim
Como lágrimas que amargam o espírito
Como o sangue que escorre sobre os cílios
Como a angústia e a náusea que esmaga o nosso umbigo.

Palavras buscam salvação
Mas o poeta está excluído.

Todos estão (sobre)vivendo em condenação.

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