Quem são estes que querem salvar o meu país?
Quem são estes donos dos discursos moralistas,
Salvacionistas, messiânicos?

Vejo crianças histéricas e violentas dançando,
Erguendo cartazes de ódio e opressão
Pregando em mim e em meus amigos,
Os mesmos espinhos que sangraram a testa e a alma de seu Deus.

Essas crianças são pirracentas,
Querem briga, confusão e violência
São seres reprimidos pelo sistema
Que encontraram uma saída pelo mesmo viés de seus torturadores:
O medo, à força, à faca, às armas,
À bíblia sangrenta.

E essas crianças são bem vistas
Abraçam o senso comum como quem se afugenta psicoticamente da palmada do pai
Acreditam que existe um modelo único pro mundo
E que tudo só pode dar certo de um único jeito
Fazendo de tudo para não desconstruir os seus infantis castelos de areia imaginários
Que tiveram que criar em meio ao terrorismo do autoritarismo no quarto
Na sala, na escola, na igreja, no supermercado.

Acreditam que as ruas são palcos de violência entre o bem e mal
Vivendo um delírio coletivo de uma história em quadrinhos.

São reprodutores do ódio que sustenta o sistema
São bonecas se maquiando para fazer bonito pro pai autoritário
São crianças com intenso medo de serem pegos em seus quartos se masturbando
São crianças que manipulam outras crianças e animais em segredo
Sempre impondo,
Sempre agredindo,
Sempre matando.

Crianças assustadas que só sabem assustar
Porque o medo os impera,
E sendo o medo um imperador em seus quartos escuros
Repetem os discursos de seus pais militares.

São crianças que não sabem o que fazem
Perdoem, ó Pai, pois eles não sabem o que fazem!

A desordem, o caos é a estrada por onde caminham os histéricos
E eu vejo o lado sombrio do animal humano se elegendo,
Se erguendo, se fortalecendo.
Querem mudanças na base do medo
Querem reprimir, controlar porque são coniventes em sua tortura psíquica
Agindo assim, como idiotas que sustentam o seus próprios masoquismos:
O medo lhe perturba, lhe machuca mas lhe atrai, o fascina
A dor do outro é a forma de matar os seus medos familiares
Das quais tiveram que ser submetidos.

Matando todos, eu ignoro o meu medo
E mato a semelhança que tenho com o estranho,
Com o bizarro, com o diferente estigmatizado
E como um bom cordeiro obedeço os meus patriarcas:
O pai violento,
O pastor neopentecostal,
O político neoliberal.

O desejo mal resolvido vira ódio e vira guerra.
Atrocidades pequenas e históricas começam dentro de casa
E terminam em memoriais de mortos culpados e inocentes
A subjetividade submetida a mutilação diária dos valores capitais,
Compõem uma grande quantidade de servos débeis
Devotos da burrice aprendida canonicamente,
Adquirida por osmose,
Alimentando uma teia cruel de exorcismo pessoal através da mutilação do outro.

A moral me serve como espada,
Onde sou um cavaleiro pronto para aniquilar
Vindo de um castelo que se ergue e se mantém com a vigilância ininterrupta dos ânus e vaginas alheias.
E neste castelo todos se escondem e se apoiam e depositam suas crenças, suas esperanças e tristezas
Tristezas que todos nós criamos ao impedir que um garoto brinque de boneca.

Cultura infantilóide,
Vamos criando bruxinhos revoltados on line,
Vampiros sedentos por sangue e desgraça social
Pedem a volta da ditadura porque não a viveram,
Não leem, nem buscam saber.
Tudo há de se resolver ‘olho por olho, dente por dente’
Como deve ser.

Esse é o rosto de uma sociedade idiocrata,
Onde os pensamentos críticos-reflexivos estão em ruínas
Estão se desfazendo entre cinzas,
Cinzas que se espalham através das inquisições dos corpos subalternos dessa imperatividade da verdade
Do discurso cínico e perverso
O pensamento crítico-reflexivo está falecendo diante do medo e da moral
Mas os vingadores estão agindo
Viram celebridades em telejornais da indústria da violência e do medo
E os burros vão aplaudindo
Fazendo coreografia para a morte
Ou tomando posse de suas estatuetas homéricas de estupidez.

E os assassinos estão livres
Sempre livres.
Nós não estamos.

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