Eu tenho muita pena destas pessoas sempre felizes
Sempre sorrindo, sempre ostentando semblantes vazios
São fotos sem abraços
São sorrisos plásticos
São legendas do Google
São corpos aviltados pela propaganda.

Para onde foram os nossos verdadeiros afetos?
Em algum cemitério frio e solitário?
Ou estão se prostituindo em algum comércio clandestino?

A propaganda dita o comportamento
Seja, tenha, compre, venda
E a tristeza só aumenta
Nossas vidas foram invadidas por uma ditadura estética
As esperanças estão sendo colocadas num museu
Todos obedecem religiosamente o sistema.

Para onde foi a nossa liberdade?
A nossa verdadeira subjetividade?
Estamos caindo em ilusões desde a Renascença
Estamos nos iludindo entre monstros do nosso próprio reflexo
Enquanto cultuamos a imagem falsa diante do espelho.

E de ilusões em ilusões vamos nos sufocando
Asfixiando o nosso corpo,
Nossa alma
Nossa existência já falecida.

E eu tenho muita pena desta pessoas
Sempre escondendo suas solidões
Sempre sufocando suas dores
Por trás de câmeras que plastificam suas emoções.

Eu tenho pena das pessoas.

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