No pico mais alto da Serra
O silêncio noturno interrompe
No frio mais intenso do inverno
Descamba de dor e desilusão.

Nas moléculas mais inertes,
Das flores sem cor de um campo silvestre
Ela é o vento que se estende ao âmago
É a náusea desumana de um espírito descontente.

Rompe com os acordos comerciais
Tortura a vaidade dos intelectuais
Sussurra a angústia nas almas melancólicas
Apaga a lâmpada do quarto escuro dos normais.

Caminha por labirintos procurando
A verdade por trás das instituições
As mentiras disseminadas
Para a manutenção das eternas ilusões.

Esbarra trêmula nos pensamentos dos mortais
Mesmo cansada, ainda quer mais
Sob raios avermelhados, queima a pele
E fere pungentemente
A alma dos que pensam demais.

És impaciente, irrequieta mas eleva
Aqueles que acreditam pouco
E vê com amorosidade a loucura dos loucos.

Acorda e levanta da coberta,
A escuridão da vaidade
Retira a poeira do sofá das certezas.

És familiar e um desagradável estranho
A contra gosto e contra senso
É o temido pensamento que brota da luz na penumbra
Dando vida e voz aos que choram pelos cantos.

És iminente derrota dos arrogantes
A vida que renasce dessa sombra escaldante
És a respiração dos espíritos asfixiados
Nesta realidade tão apavorante.

És a lembrança do nosso fracasso
És a força dos fracos
Esta sombra de dúvida que paira em mim
Em todos os espaços.

chuva no vidrodeitada na escuridão com uma luz

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