Ele acorda e se prepara
O dia cinza,
Nublará seus pensamentos.

Ele toma o seu ônibus
Pessoas brigam, meçam suas forças
Intelectuais e físicas
Repetem discursos prontos
Proliferam violência gratuita.

Animais se devorando
Acreditam ainda serem filhos do divino
Disputando quem tem mais ódio vivo
Se matam em transportes coletivos
Nos becos, nas esquinas
Nas indústrias da fé
Nas escolas que ensinam
Que a desobediência tem seu castigo
E servindo é que se ganha a vida
Não eterna, mas imunda de prepotência
Nesses abismos que sempre construímos.

Idosos sentam-se e esperam o seu arrebatamento previsto
Há sangue escorrendo o dia inteiro
Nas favelas, nos presídios, nos condomínios.

Campos de concentração vão se erguendo
A cruz foi destruída e apodrecida por instintos assassinos
A vida pede um descanso,
A natureza pede a vida
Um pouco de água
Um pouco de amor
Pede o fim desse eterno descaso.

Meus olhos estão cansados
Meus dedos estão marcados
Meus pés estão descalços
Meu corpo está sendo leiloado.

Tudo é dor e nada sai barato
Uma floresta que reproduzia beleza e vida
É queimada e exterminada sem pressa
Diante de todos os culpados.

A vertigem sagrada regurgita em meu estômago
Queima em raiva e tristeza
Arde o corpo exposto como ferida.

Delírios coletivos intermináveis
A massa escorre pela a peneira
Repetindo os ditames de seus ancestrais
Morrem juntos, afogados em sua ignorância
Dentro de uma panela.

Minha razão resiste e ainda insiste
Em não permitir que me fervilhem
Do fundo do poço dos absurdos
Eu ressurjo da podridão que me julgam
Da pena de morte brota novos pensamentos.

Entre o 8 e o 80 existe liberdade
As correntes são quebradas
As amarras são afastadas
O choro é livre como a dor
A vida nasce do breu
Da desgraça surge a graça
De ser o que se é
E ter a delícia e a danação de pagar o preço que quiser.

Entre o amor e ódio,
Só o pensamento livre é capaz de organizar o caos
Do encontro do nosso ego com o fracasso
Do encontro da nossa luta com a derrota
Da vaidade com a nossa própria miséria de existir
Nesse pandemônio cotidiano da qual não escapamos.

Ele então enxerga uma pequena luz fraca
E a segue por uma longa estrada solitária
Ele suporta as nuvens escuras
E toma a dor como companheira
E nessa complexidade paradoxal
Ele se perde mas sempre se encontra.

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