O sol se pôs com mais uma marca
O ontem me pregou mais um espinho
Ao acordar, ela vem
Sem ser chamada
Mal quista e intrometida
Maldita lembrança.

Hoje o amanhecer não trouxe uma chance
Mas o que sobrou de mim
Depois de tanto tentar
A oportunidade para a mudança.

Sentimos, queremos e corremos
Atrás daquela porta que se abre
Para a vida nova que nos aguarda
Que nos arranque desta sensação
De que paramos no meio da estrada.

Ansiamos pela porta que se abre para nos
E nos devolva a nossa vida de volta.

De tanto sofrer, já não morro
Nem caio no fundo do poço
A cada nocaute ou tiro
Eu me elevo através da dor
Que me asfixia o dia inteiro
E assim, já não me desespero
Neste inferno dominado por espectros
Ou no meu intimo entorpecido
Com fantasmas passados
Sempre a espreita para me devorar
E me levar de vez deste mundo
Deste ruído que restou de nós
Deste caos que me enlouquece por dentro.

A manhã se ergue em sua inocência
Sem notar o que estamos fazendo
Uns com os outros
Todos contra si mesmos?

O entardecer chega sem previsão
Estamos perdidos de nós mesmos
Presos nesta assombrosa ilusão?

A noite cai como resposta
Em vez de reza, um santo remédio
Um entorpecente para afastar
Tudo que se acumulou com o passar do tempo.

Na madrugada, um pesadelo
Da vida real negada o dia inteiro
Da vida desgraçada desde o começo
Um ontem interminável e temido
Preso em memória de um corpo
Estremecido e rachado em pensamentos
Sob a sombra do iminente fracasso
Sob a luz do sucesso de sermos só uma paródia bem sucedida de nós mesmos.

 

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