Domingo de sol. Famílias vão ao parque. Cada um com sua toalha de mesa. Cada qual com o seu “cada qual”. No galho mais alto, da árvore mais alta, o pássaro se alimenta do que restou. Folhas secas e nenhum espaço.
Ele insiste em sobreviver enquanto o sol queima suas penas, aquecendo por demais o seu corpo tão pequeno. Ele voa para um lugar mais fresco. Em busca de vento, de vida.

Os garotos da cidade se assustam ao olhar para o voo do pássaro. Ele voa?
Tão acostumados a viver em seus cativeiros separados por grades, ele não acreditavam na capacidade da ave.
Em cada toalha, uma história a se contar. Mais à frente, em outra toalha, outras histórias a serem contadas. O que você está fazendo da vida? Já casou? Teve filhos? Quantos? Já estão tão crescidos!
O pássaro volta horas depois e se choca. Derrubaram sua árvore, sua casa. No lugar dela, estão construindo um condomínio de luxo, que terá vista para o parque mais bonito da cidade. O passarinho se entristece. E não quer voar.
Um garoto que passa com um estilingue o acerta. Bem na mosca filho! Diz o pai. E agora o que a gente faz, pai? Ah, joga fora.

 

 

80bya99vwp7cwb5yrs5cee992downloadbem te vi caido

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