A máquina tortura os corpos
Tritura a consciência
E a nossa esperança
Se encontra nos destroços.

A máquina não para
A vida vive com defeitos
A morte não pode parar
A vida tem o seu árduo preço.

Viver não importa
Produzir é preciso
Necessário é a nossa derrota
Para enxergamos o quanto
Somos descartáveis
Dentro do vidro.

Mercadoria sem troca
Eu sigo sem destino
Pré-destinado estou
A morrer todos os dias.

Previamente estou
Sentenciado desde a placenta.

Corpos mortos
Vidas entregues a todo azar
Somos somente mais um número
No grande corredor da morte lenta.

Direitos enfeitam o papel branco
A nossa vida parece perfeita
Enquanto caímos em depressões
Sem chance de alcançar a luz
Tão distante diante das nossas perdas.

Crianças chorando
Mães gritando de dor
Desespero e tristeza
Tudo faz parte do grande plano
Da estratégia da riqueza sobre a pobreza.

A dor gera a moeda
O sofrimento sustenta a igreja
A angústia fomenta a insanidade
E a massa alavanca as vendas
Da indústria das doenças da existência
Diante de uma vida de aparência.

A intolerância é regra
O ódio é cultivado
O padrão é viver ditando
Enquanto tentamos nos enquadrar
Na casa do grande Caos
Que vive da arrogância e da submissão
Dominada pela indiferença.

O que é o amor diante da toda sorte
De enxergar o azar iminente?
O que dirão da esperança
Que vive na escuridão
Suplicando por algum sentido
Algumas razão para tudo isso?

Sem respostas
A única saída ainda é a maldita resistência
Onde todos imploram por humanidade
Enquanto suas vidas se perdem nos prontuários das mortes
Controladas pelo religioso sistema.

Onde deus é pecador
O humano é um predador
De sua espécie e de seu espírito.

É o mundo como se é
Uma eterna coletânea coletiva de suicídios.

images (10)images (34)images (22)281x211chap

Anúncios