Por um momento de silêncio
Por um minuto de paz
Por um instante de contentamento
Por um segundo sem sentimentos.

Por um período sem enxergar
O caos em movimento
A angústia letal aqui dentro
Que me mata
E me desfaz.

Por um mundo sem enquadramento
Nem afetos padronizados
Por uma existência sem sofrimentos
Por uma luz
Na escuridão do meu cais.

Existir dói demais
E aqui não há lugar pra mim
Cai no inferno por acaso
E mesmo sem pedir
Pago em dor e desespero
A morada assombrosa
Que me fez refém
Desde que nasci.

São tantos comprimidos
Que já não sei o que é ser eu mesmo
São tantos efeitos no meu mundo desfeito
Triturado com sonhos esquecidos
Que adormeço em meus pesadelos
E para longe de mim eu vou
E me perco
Me esqueço
Me entorpeço.

O mundo é uma droga
E de drogas sobrevivemos
A realidade não tem cura
A insanidade é o preço obscuro
De uma vida reduzida
A um objeto
Um corpo
Uma mercadoria.

Vivos e enterrados
Drogados e desesperados
A vida só pode ser vivida
Com torpor
Delírio e fantasia.

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