Me abrace agora e me segure antes de cair de novo

Me dê o seu calor

Queime minha alma em chamas de amor

Há tanto tempo tenho sentido tanto frio

E minhas esperanças esperam sem ânimo

Em meu cais cheio de dor.

 

Noites em vão

Dias sem cor

Toda luz é escuridão

Enquanto caminho sem lugar

Em minha solidão.

 

A angústia me devora

Minuto por minuto

Me levando ao caos de meus pensamentos

Ao abismo infinito de tortura e agonia

Dos meus traumas de infância

Hora por hora.

 

Vazio que é silêncio

Silêncio que grita por amor

Espírito que geme de dor

Por algum sentimento que lhe dê algum sentido

Ou algum valor.

 

Eu preciso de uma razão para tudo isso

Mas tudo que tenho é um papel e uma caneta

Sonhos destruídos pela vida

Ardor levado pelo tempo.

 

Desespero que me enlouquece

Dor que me entorpece

Me levando ao vale de todas as almas atormentadas

Ao vale de todas as pessoas tristes

E mortas.

 

Este quarto é pequeno demais para os meus sonhos

Mas a dor é pesada demais para o meu corpo

Eu estou imobilizado por tudo que vi

Por tudo que senti.

Eu não possuo o meu corpo

Mas a melancolia é quem me possui.

 

Deixando-me inerte e cheio de rancor deste mundo

Deixando-me apaixonado pela tristeza que escondi este tempo todo.

 

O amor é algo real para todos?

Essa falta que me faz sentir que estou morto

Preso num amaldiçoado tempo

Sendo torturado por pesadelos à noite,

Não pode me deixar quieto por um momento?

 

Um dia irei acordar deste terremoto em meus sentimentos?

Um dia alguém irá me salvar deste vazio que sou há tanto tempo?

Tudo que vejo é morte e destruição

Dor e sofrimento.

 

Nada é feito em vão

Tudo é feito por algum interesse

Alguma intenção.

Acorrentados estamos

E cegos seguimos doentes em nossa ganância e ambição.

 

Mas agora você está aqui

E eu sinto tanto medo

Medo que você abra aquela porta

E o silêncio venha a ser o meu iminente companheiro.

 

Medo do abandono, da rejeição

Do caos e tormento que é a solidão

Da agonia e tortura que é ser só

Num mundo cheio de ilusão.

 

Cresci num lar seco

Onde o que me molhava eram as minhas lágrimas

Num peito ferido por medos, violência e traumas

Num lar que nunca foi lar

Mas um labirinto de torturas sem sossego.

 

A dor já se fazia presente desde o útero

Ferido já estava mesmo no paraíso

E para o inferno me levaram

Desde que cortaram o cordão

E desde então,

Venho adoecendo.

 

Viver é trágico demais

A morte é minha companheira obsessiva

Não me larga jamais.

 

Precocemente fui atacado por ela

E acorrentado,

Sigo com os meus passos lentos e feridos

Sangrando todo o tempo.

 

O meu psiquismo sempre foi frágil demais

E enlouquecendo com tudo que vi desde cedo

Assombrado venho sendo

Desde que fui expulso do paraíso materno.

 

Caminho sem saber ao certo onde estou

E para onde vou

Mas sinto que as coisas do jeito que são

Caminham lado a lado da autodestruição

Da nossa própria extinção.

 

Suportando toda a loucura coletiva

Sinto-me caindo em total depressão

Onde a dor é minha amiga e minha sagrada agonia

Me entorpecendo de verdades

Espantando qualquer resquício de ilusão.

 

À noite,

Antes de tentar adormecer com toda sorte de medicamentos

Eu tento me reconstituir.

Tento não ser levado pelos meus sentimentos

Que me pesam o corpo e os pensamentos.

 

Devaneio

Acredito que tudo isso não passa de um roteiro mal escrito

A vida ainda pode ser um sonho.

Ou delírio deste meu fracassado desejo.

 

Algumas partes de mim se perderam

Outras se encontram em mercados clandestinos

Sendo vendidos e trocados por dinheiro.

 

Então me proteja de mim mesmo Anjo Sedutor

Que me aconchega em seus barcos quentes de amor

E de carência e tristeza.

Mas também ferido em sua existência

Cheia de mágoa e dor.

 

Me beije até eu esquecer que há escuridão neste mundo

Não solte minha mão até que eu me sinta seguro

A loucura vem sem avisar

E talvez eu não possa me salvar

De todas as sombras

De todos os fantasmas que me assombram no escuro.

 

E ao despertar de cada dia

Me acorde com um beijo de amor

E sopre em mim todo o fôlego de vida.

 

Com o passar do tempo

Eu me esquecerei de tudo que senti (?)

E superarei todos os meus traumas infantis

E poderei voar sem medo.

 

E quando eu me calar

Me abrace forte e me deixe chorar

Eu não sou tão forte

E minha consciência se cansa

De ter que encontrar tantas saídas

Nessa total desesperança.

 

E diga que para sempre irá me proteger

De todo mal que há

De toda tristeza que chegar

E que sempre estará ao meu lado

Quando eu acordar assustado

Relembrando os traumas em meus pesadelos.

 

Seja o meu cobertor eterno toda vez que eu sentir frio

E espantado estiver diante deste mundo falido

E junte todas as minhas partes

Quando me encontrar caído

Diante de um possível castigo.

 

Seja a minha canção romântica nos dias chuvosos

Enquanto as gotas caem e se transformam em melodias

Melancólicas quanto a minha alma

Tristes como sou desde que pressenti a vida.

 

Seja tudo o que o tempo não foi

Seja tudo que a vida não quis que eu fosse

Seja a minha única esperança enquanto respiro

Mesmo fracamente, mas insistindo.

 

Seja todo o amor que nunca tive

Seja a razão de toda dor que sou

Por causa de tudo que somos

Por causa de todo o nosso egoísmo.

 

Mas se um dia você for

Não me deixe ver

E nem faça barulho na porta.

 

Meu coração não suportará viver mais uma dor

Mais uma mágoa, rejeição e abandono.

E talvez eu nunca possa amar alguém de novo.

 

E se um dia você se cansar de mim

E de mim para sempre se for

Lembre-se que serei a canção das chuvas

O medo que o trovão nos causa

As gotas que caem do céu

Nos trazendo vida através da dor

Da tristeza e da melancolia.

 

Eu estarei nas nuvens carregadas de dores e fantasias

E de lá olharei para você

E chorarei em gotas cinzentas de chuvas perdidas

Num céu que não cabe todas as estrelas

Principalmente as sem brilho, sem cor

E sem vida.

 

Eu serei sua estrela apagada para sempre

E na escuridão irei te proteger

Guerrear contra todas as trevas

Só para te aquecer na escuridão

Que te aconchega no quarto

Te assombrando com toda a tristeza

Desse mundo comandado pela estética

Devoto pela efêmera beleza.

 

E todo fel que provei

Eu descarregarei em flocos de neve

Como quem esteve caindo todo o tempo

Congelado totalmente por dentro.

 

E de cima rezarei para que você encontre a alegria

Que não vivi, que não senti

Que não me abraçou

Enquanto provei de todo tipo de amargura

Neste palco de espetáculos que é o mundo.

Nesta sociedade idiocrata que vivemos.

 

E comigo levarei os instantes de alegria

Os poucos momentos de vida

Que tive ao seu lado

Mas que não foram suficientes

Para me salvar de toda a escuridão

Que me perseguia.

 

Mas cuide desta parte de mim

Que você levou

E regue ela todo dia

Talvez ela cresça

E me leve de volta para a luz.

Pois sem o seu amor e cuidado

Eu serei castigado nas Trevas

E serei sufocado novamente por minhas tristezas.

 

E que você seja feliz

Sem mim

Sem minha presença pesada

Sem os pesos de minha frágil consciência

Sem as dores do meu existir.

Sem a sombra da minha existência.

 

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