O que fazer?
O que fazer,
Quando o vazio vem te estremecer
Te esfriar a espinha dorsal
Paralisando sua mente
Escurecendo tudo que você vê?

O que fazer?
Quando a tristeza e a dor
É tudo que você tem?
E ninguém te abraça
E diz que vai ficar “tudo bem”?

Num mundo onde vagam espíritos frios
Em sombras de nuvens escuras
Que nos molham de verdades obscuras
O que fazer do medo
Diante dos filmes de terror
Todos os dias nas ruas?

Então,
O que fazer?
Quando a angústia é tudo que você sente
E de repente você vê o seu mundo cair
E sua sanidade se esvair?

O que fazer?
Quando a solidão é tudo que você tem
E não há mais sorrisos para estampar suas feridas?
Quando não dá mais para nada esconder?

E a manhã chega com os seus raios de sol,
Mas a noite ainda cai dentro de você?

Cansado de fracassar
Ele teme novamente se perder
Tenta, embora em vão
Encontrar no que lhe restou de esperança
Alguém que o enxergue
Como ele realmente é
E não pelo que parece ser.

Tenta encontrar alguém
Que ao lhe ver caído e sem forças,
Em desespero
Dê-lhe a mão firme
Ajudando-lhe a levantar
E a continuar o seu caminho
Cheio de espinhos que sangram o seu coração
E embaça sua visão de um bom destino.

Ele está em todo lugar.
Nas ruas escuras do centro
Nas esquinas perdidas da vida
Na fila da padaria
Num banheiro público
Chorando escondido
Ou nas ruas, pedindo esmola.

Mas ele não está sozinho
Apesar de parecer
Ele carrega consigo
Toda a solidão de viver
Em um mundo onde o ser foi reduzido
Ao silêncio de seu mero corpo
À angústia de viver suas dores
Em prisões corpóreas
Sem nenhum tipo de abrigo?

Onde as propagandas dessubjetivam
E tornam reféns nossas esperanças
Um dia já velhas prisioneiras
De um céu e um eterno castigo.

Ele carrega,
Pesadamente,
Algo que lhe farda diariamente os ombros
Como uma rocha a arrastar pelo coração
Que o faz andar sempre cabisbaixo
Abaixo da beleza do sol
Sem visão de algum horizonte.

Quando está com muito medo
Ele simplesmente fecha os olhos
Que ardem em lágrimas salgadas
Que descem amargamente à alma
Ardendo o seu espírito
Adoecendo sua existência.

Em seu quarto escuro
Onde ele e a solidão trocam segredos
Eles se fazem presentes
Como velhos amigos
Que não desgrudam um do outro.

E em suas cumplicidades
Choram todas as mágoas
Desilusões amorosas
E amigos perdidos
Não pela morte,
Mas pela vida injusta.

E num silêncio eternamente mútuo
Eles se abraçam e se aquecem
Sem esperança de um novo mundo.

Sem esperança de um descanso
Um sossego no espírito
Ou um sono verdadeiramente profundo.

Sem esperança de reviver as alegrias da infância
A vida perdida em suas reminiscências
A vida escurecida pela verdade de viver.

 

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