Esperando todo dia por um descanso

Uma calmaria em meio ao caos

O tempo vai passando

E dela se vai os sonhos.

 

Em algum momento quer gritar

Chorar e dizer o que está sentindo

Mas ninguém quer ouvi-la

Ninguém na verdade se importa.

 

Em meio as pessoas que andam apressadamente

Sendo escravos do seus relógios

Ela olha encantadoramente para a flor caída na rua

E sente-se caída como ela

Sente-se caída e morta.

 

A noite sonha acordada, por causa da insônia

E imagina ser levada por um anjo que tiraria ela dali

Sonha com um possível amor que a salvasse de sua tristeza diária

Imagina Deus tendo compaixão e levando ela antes da hora.

 

Andando em passos lentos e medrosos

Num chão cheio de buracos e explosivos

Ela sente muito medo, desprotegida e cansada

Cansada de fingir que é igual à todo mundo

Cansada de fingir ser fútil, vazia e superficial.

 

Sente que está pisando num mundo que não é dela

O dela está em seus pensamentos,

Sendo devorado lentamente por fantasmas do passado

Ela tenta conter o choro em meio à rua mas não resiste

As lágrimas negras de seus olhos cansados e cegos cedem à angústia

Cegos pois não há vida aqui e dentro dela sobrevive somente o desespero

Olhos cegos por desilusões, feridas de amores e traições nas amizades.

 

A noite então ela devaneia-se em seus sonhos destruídos

Delira-se em seus objetivos inalcançáveis

Quimera em delírios perdidos

Tentando sobreviver a todo custo de viver.

 

E amanhã, começa tudo de novo.

 

flor caida preto e branco

 

Anúncios