Veja,

Você nasceu.

Abriu os olhos ingenuamente,

Sem poder enxergar tudo que existe realmente.

 

Te pegaram no colo

E logo você foi batizado e condenado

Por mãos sujas de sangue de crianças estupradas

E mortas em suas almas.

 

Desde então,

Você tem se sacrificado.

Tem tentando viver conforme a moral e as regras

E é sempre reprovado.

 

Você ainda sente o frio da água molhada em sua cabeça

Você não entendia

Mas estavam carimbando o seu espírito para mais um sacrifício.

Faz parte do ritual da prostituição dos corpos

Que você pode fomentar para o resto da sua vida.

 

Depois você sentiu a água esquentar

Dos espíritos atormentados em sua volta

Das almas aniquiladas desde Roma até cá.

 

Todos sorriram e te fotografaram.

Queriam guardar esta lembrança.

Do dia em que te condenaram a carregar uma cruz que nunca existiu

Do dia em que você foi entregue nas mãos do Anticristo e do Estado.

 

Depois te encheram de crenças vazias

De moralismos imorais

E de moralina você bebeu

E o seu espírito desde então,

Adoeceu.

 

E se sacrificando você vive

Tentando ser o que nunca vai ser

O ideal suicida de um deus que você nunca viu

Proclamado através de empreendedores da fé

Que negam os ensinamentos

Daquele que eles pregaram numa cruz.

 

 

E obedecendo vem

Os seus eternos soldados

Carregando valores tão mortais

E construindo impérios

Para os Eternos Assassinos de Cristo.

 

Você tem negado os seus verdadeiros desejos

E vive angustiado.

Negando quem realmente você é

Negando a vida em detrimento de sua existência

Já tão sombria e vazia.

Como sua essência esquecida.

Em fortalecimento de uma sociedade imperialista.

 

Você não sabe quem você é

E vive a se perder

E perdido como sempre

Nunca sabe o que pedir

Nem o que dizer.

 

E de resignação em resignação

Você tem tentado inutilmente esquecer

Mas a vida tem te cobrado a verdade

E de mentiras você já não quer mais viver.

 

Depois de um dia cansativo de trabalho

Seus vizinhos batem em sua porta

Você está cansado

E eles gritam:

Você tem que se salvar amado!

Parcele seu lugar no céu em até doze vezes!

Aceitamos  todo tipo de cartão tá?

Fique na paz!

 

Sim,

Eu tenho que me salvar

Pois eu sou o tão falado Jesus Cristo

E eu tenho sido sacrificado.

 

Eu tenho sido adestrado

Como um animal em rebanho

Perdido em seu pasto

Que é esta vida cheia de coroa de espinhos

Que espetam e sangram as nossas almas

Carregando uma cruz chamada angústia.

 

Então hoje eu me torno dono de mim mesmo

E proclamo o Super-Homem

Ele sim irá me salvar deste castigo

Que é viver neste circo montado

Para nos aterrorizar

E para sempre nos aprisionar.

 

Hoje eu deixo de acreditar em tudo que ouvi

Em tudo que acreditei sem questionar

E sob desconfiança eu vivo

Pois o homem civilizado é um lobo trajado de cordeiro.

 

E agora eu sei que não há vida em outro lugar

O que existe é o que eu enxergo agora

E está tudo caindo perante os meus olhos.

 

Vejo as almas das mulheres acorrentadas e queimadas

Vejo crianças perdendo sua inocência

Vejo guerras e mais guerras em nome do Salvador.

Eu vejo um filme de terror.

Esta é nossa Terra.

 

E por hoje e pelo último dia de vida

Vou afirmar a dor e o prazer da vida

E vou me elevar.

Vou saciar os meus desejos sem aniquilar o outro

Como tem feito o Anticristo

Em empresas luxuosas chamadas ‘Igreja’.

 

E agora,

Livre estou

Para andar por minha existência e me reencontrar.

E agora torno-me dono de mim e do meu destino.

E o sucesso e o fracasso somente a mim caberá.

 

E então eu me encontro com o Super-Homem

E dele tenho imenso orgulho

Pois se superou e tem muito o que se superar

E dele já não abro mão da companhia

Nem de sua transcendência.

 

É,

Este super-homem veio para me libertar

E liberto estou de todas as mentiras que mantive como sagrado.

Para o sustento de um deus segregador e capitalista

Para um deus que vive a enriquecer

Através de nossas dores e sofrimentos.

Para a manutenção de um Estado

Que não se importa com os nossos direitos

Para a manipulação de nossos corpos

Produzidos para mão-de-obra de seus Eternos e Caprichosos Reinados.

 

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