Nasci morto.
Ao sair do ventre
Não esperava encontrar
O que aqui em vida (?)
Eu teria que suportar.

Com a morte
Tenho que caminhar
Todos os dias
Eu nasci com ela
E dela não consigo me separar.

Fui cuidado por ela
Fui educado por ela
Fui amado e protegido por ela.
E ainda sou desejado por ela.

O medo
Comigo sempre está
Hoje eu o enfrento
Mesmo que rasguem meu peito com lanças de ódio
De mentiras e palavras divinas
Eu me levanto para a batalha
E guerreio em meus versos.

Cresci vendo tudo que os olhos de uma criança não desejam enxergar
E pequeno, amedrontado e entorpecido de terror
Descobri em meu silêncio
A falta de sentido para a minha existência
A falta de razão para tudo isso.

O espírito,
Fraco e cansado
De tanto ser ferido
Caminhou por vales sombrios
Em minha mente,
Espíritos obsessivos me atormentavam
Levando-me a loucura
Fazendo-me cair em meus abismos de dores profundas.

Nasci no fim
No meio desapareci.

Agora,
Dia após dia
Tento me reencontrar
Em contato com o menino entorpecido em seu lar
Eu tento dialogar
Achar uma saída para nós dois
Sem ambos sangrar.

Propus um novo começo
Uma outra história
Quem sabe, nos libertamos de tudo e partimos para outro lugar?

Começo a criar um outro rosto
Menos caído, menos pesado
Para poder encontrar a luz perdida de mim há tanto tempo.
Para encontrar enfim, aquilo que chamam o tempo todo de vida.

Nos versos,
Encontrei uma pequena saída, uma fresta
Para toda essa insanidade que me atormenta a memória de madrugada
E me acorda para desesperadamente gritar em palavras.

E de tanto caminhar
Em um pequeno terreno baldio
Sujo e cheio de entulho que a escurecia
Tampando-lhe a visão do sol todos os dias
Eu encontrei bem num cantinho onde havia uma pequena flor azul
A tão sonhada e esperada vida.

Peguei-a em minhas pequenas mãos sujas e cheias de marcas
E com medo de deixá-la cair
Com todo cuidado do Universo,
Guardei-a.

Hoje caminho com ela
Protegendo-a de tudo e de todos
Pois sua luz é frágil e está quase sempre fraca
E pode-se apagar a qualquer momento.

Caminho olhando para ela,
Que vivia numa escuridão em que se sentia sozinha
Perdida em seus entulhos que só a machucavam
E roubavam-lhe a beleza do mundo.

Caminho a lentos passos
Cheio de medos
De ladrões, de sequestros
Não posso mais viver sem ela.

E no meio dessas ruas escuras do Centro
Eu vou rezando
Para que não me roubem essa pequena luz
Que tanto me mantém aquecido de paixão e esperança.

Na minha alma carrego aquela linda flor azul
Que me diz que o amor aqui na Terra ainda não chegou
Por isso a vida sofre tanto
Porque no Espaço ele está, cheio de medo
Porque aqui embaixo
Para ele,
Não há espaço.

E então eu rezo
Peço aos deuses um pouco mais de compaixão
Aos que sofrem nas ruas ao desalento
Aqueles que são abandonados por causa da religião
Aqueles que só conhecem a escuridão como o único movimento
Às estes todos que sofrem e subsistem devido a Ordem dos Caos.

E rezo para que haja chuva
E que molhe todo o sertão
Trazendo alegria e fertilidade
Não só no solo
Mas também no coração.

E que a chuva nos banhe com o Amor que está escondido no Espaço
Que ele traga esperança aos desalojados e desesperados
E transforme meus pesadelos em sonhos
Pois há muitas crianças se perdendo no tráfico
Há muitas mulheres, negros e gays sendo dizimados.

Tudo em nome do Capital e de Deus.
Tudo para manter a ordem “natural” do patriarcado.

E começa a chover
E de compaixão vou me molhando
De graça o meu espírito vai se alimentando
Banhando-se de paz e de glória
Do amor que está nos céus
Do amor que está ausente em nossos corações
Porque não damos espaços.

E assim,
Vou me livrando de toda a tristeza de existir neste Caos
Ressuscitando-me de meu passado
Cheio de histórias que mancham minha memória de sangue
E os meus pensamentos de dores e desassossegos
Vou me elevando
Encontrando-me com o Amor que aqui nunca tive
Encontrando-me novamente comigo mesmo
Mas cheio de paz e sossego
Neste momento em que eclode meu coração de alegria e bons sentimentos.
Este é o meu sagrado.

Elevado em sua luz
Eu peço ao Amor que aqueçam os corações
Dos que estão congelados em suas solidões
E que exista neste mundo,
Em vez de robôs
Seres humanos capazes de amar uns aos outros
Sem desunião por religião, por raça, por gênero e por orientação sexual
Para podemos dar as mãos numa só causa:
Para que o Amor desça do Espaço e se torne o nosso único objetivo na Terra
O de amar e ser amado por sermos quem realmente somos
Derrubando ideais, estigmas e preconceitos que criaram
Respeitando e sendo respeitados em nossas individualidades
Sem indiferença e rancor, nem vaidade.
E assim, o paraíso perdido voltará
E se fará chão fértil em nossos corações.
O Amor então,
Encontrará o seu abrigo.

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