A minha busca aqui é por um lugar

Um lugar que eu não sei, não conheço

Mas anseio e desejo.

Um lugar onde eu possa me encontrar

E me reencontrar.

 

Sei que me perdi nestes medos,

Nessas dores, neste desespero

E não me reconheço mais,

Não mesmo.

 

A minha busca aqui é por um lugar melhor

Longe disso tudo que me dói e me faz esmorecer

Longe disso tudo que me faz cair

Com os meus pés cansados de tanto caminhar e sofrer.

 

Meus pés cansados de percorrer este caminho

Que só eu posso percorrer.

E minha lucidez por vezes tão cansada, esgotada

Me abandona e me deixa adoecer.

 

A minha busca é por mim mesmo

Por quem eu sou e posso ser

Sei que posso muito

Mas acredito pouco.

 

Este que eu acho que conheço

Mas ainda é um desconhecido para todos

Mas é aquele que me faz lutar

Mesmo em tortura, mesmo em trevas absurdas,

Mesmo sem lucidez alguma.

 

Essa busca tem que ser vigiada

Se não cuidada, assistida

Analisada por minha consciência viva

Eu me vejo morto por estes pensamentos obsessivos

Que carrego e pesam

Dentro do meu fraco e já torpe espírito.

 

Por vezes não suporto a loucura de viver

E sou ferido fatalmente em meu psiquismo

Então perco minhas forças sãs

Eu desisto da realidade

E sou levado pelas minhas sombras

E só volto depois de ser castigado

Pelas dores de meus sonhos.

 

A minha busca,

Insaciável e incessante

Por vezes me desloca do próprio caminho

Do lugar que desejo em meu espírito

E sozinho eu sigo

Em meu infinito particular

E já não me sinto só

Eu sou ilumindado pelo Grande Universo,

 

E caindo em insanidade e desespero

Com sua luz e força

Levanto sozinho.

 

Aqui me sinto preso

Cárcere do meu próprio corpo

Mas este corpo é somente meu?

Eu pago o alto preço

Por ser fiel a quem eu realmente sou

E de queixo erguido,

Padeço.

 

Entorpecido e enfraquecido

Por manhãs atrozes

Por luzes que ofuscam

E te anulam,

Eu me perco dentro de mim mesmo

Nessa morte súbita que vem ao meu  encontro

Para levar-me de volta à escuridão

Ao abismo de onde vim

E até hoje permaneço.

 

Eu sou levado ao começo de tudo

Insignificante e diminuído

Cego por minhas lágrimas vermelhas

Mudo por todos os meus medos

Surdo por todos os meus gritos não ouvidos

Paralisado por tudo que eu vi,

Senti, ouvi e ainda sinto

Eu sou reduzido a um produto inválido

Numa dispensa escura

Eu sou jogado de fora do jogo

E nem para a reciclagem vou

Eu sou destruído.

 

Minha memória não perdoa

Assombrada pelas minhas eternas lembranças

Eu me sinto preso ao passado

E sofro mais

E morro de vez por dentro.

 

A minha busca é por um lugar melhor

Dentro de mim.

Quem sabe uma luz que não me abandone?

A paz que sempre quis de volta

Em meu mundo infantil?

 

Essa busca,

Nada mais é do que a cura de minha alma

Ferida por tudo que vi e ainda vejo

Senti e ainda sinto

Ouvi e ainda ouço

Enxerguei sem querer e morri

Quem sabe a salvação de mim mesmo?

Numa esperança angustiada e sofrida

Tentando a toda dor e a todo custo

Se manter vivo diante de tanto sofrimento?

 

E nessa ansiedade obscura

Ouvindo sons assustadores e melancólicos

Através dos trovões das chuvas de tristezas

Eu sou arrancado de mim mesmo

E caio diante de meus anseios

Um castigo por insistir num mundo perfeito.

 

Então eu acabo por me perder novamente,

Volto ao início do meu destino e recomeço

Todas as dores me voltam, me assustam

Mas eu as já reconheço.

Então piso no chão mais seguro,

Menos assustado e arriscando a minha lucidez

Novamente por inteiro.

 

Eu volto para mim mesmo,

Mais vivo, mesmo em cadáver preso

Nessa memória que me puxa e me prende

Eu me sinto vivo para recomeçar

Mesmo fraco e entristecido.

 

O mundo não pode vencer os meus sonhos

E eu não quero lhe dar o sabor da minha derrota

Eu acredito e persisto

E em minhas pegadas escuras em desertos sombrios

Eu me dissolvo e sou levado por minhas sombras.

(Crises de pânico).

 

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